Em:
17-06-2009
A Loja Macônica Cotinguiba e a Formação da Maçonaria em Sergipe
José Anderson Nascimento1
RESUMO
Este artigo tem por finalidade analisar a presença da Maçonaria em Sergipe, especialmente a partir da fundação da Loja Maçônica Cotingüiba e a sua contribuição nos movimentos para a extinção da escravatura negra e as campanhas em prol dos ideais republicanos.
Palavras-chave: Maçonaria em Sergipe, Loja Cotingüiba, Questão Religiosa, Igreja Católica, República.
A Maçonaria em Sergipe nasceu em meio a dificuldades sociais e políticas, quando o Brasil ainda se ressentia da longa e extenuante guerra contra o Paraguai.
Maçons sergipanos intensamente comprometidos com as lutas em torno da liberdade, da fraternidade e da humanidade, vinculados aos ideais republicanos, e com a propaganda em favor da extinção da escravatura negra, fundaram a 10 de novembro de 1872 a Loja Maçônica Cotingüiba, sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil e tendo São João Batista2 como seu patrono.
Logo depois da sua fundação, a Loja Maçônica Cotingüiba já demonstrava muita pujança e a 10 de dezembro daquele mesmo ano, foi aprovada na primeira categoria, por decreto do Grão Mestre Geral da Ordem, sendo, a seguir, procedida a sua regularização a 16 de fevereiro de 1873, por força do Ato assinado pelo ilustre brasileiro Joaquim Saldanha Marinho3, então Chefe da Ordem Maçônica no Brasil.
A Augusta, Respeitável e Grande Benemérita Loja Maçônica Cotingüiba é um referencial de Sergipe, especialmente de Aracaju.
Tem razão o escritor Artur Augusto Imbiriça Tupi, citado por Renato de Alencar4, ao afirmar
‘que ninguém poderá escrever a história da velha Cotingüiba sem se reportar à história de Aracaju, e a verdade é que Sergipe começou a viver, propriamente depois da fundação desta cidade, e vale dizer que a história da Loja Cotingüiba é a própria de Sergipe no segundo Reinado e na República’.
A presença da Maçonaria em Sergipe, com a fundação da Loja Cotingüiba, - justamente em 1872, ano em que irrompia a famosa “Questão Religiosa”5 desencadeada pelo bispo de Olinda, D. Vital6, que perseguiu o clero maçônico e os maçons de irmandades católicas, - e mais tarde, a escalada do protestantismo na cidade de Estância, provocou ao longo dos anos grandes fissuras na hegemonia do pensamento católico dominante. A atuação dos maçons era muito discreta, imperceptível na maneira de agir, enquanto que a dos protestantes era ostensiva, desabusada na afirmação de sua crença.
A Loja Maçônica Cotingüiba, desde então primava em manter-se misteriosa, com reuniões secretíssimas. Portanto, causou alvoroço a notícia da sua primeira sessão de caráter público, realizada em 6 de julho de 1873, com o comparecimento maciço da sociedade aracajuana, em sinal de júbilo pelo fato de ter o Imperador Pedro II, por esforços da Maçonaria, dado provimento ao recurso interposto pela Irmandade do SS. Sacramento da Igreja de Santo Antônio do Recife, relacionado à suspensão que lhe impôs o então bispo, em face daquela corporação não haver expulso do seu seio, um sócio que era maçon.
À época, já funcionava em Aracaju a Loja “Segredo e Amizade”. E os seus membros somaram-se aos da Cotingüiba, numa sessão conjunta, em 14 de outubro de 1873, para reafirmarem os seus princípios em torno da emergente liberdade de culto.
Dados os passos iniciais, a diretoria provisória da Loja, tendo à frente o Venerável, Dr. Francisco José Penna Martins Júnior, convocou eleição, que aconteceu em 31 de agosto de 1873, quando foi eleita a primeira diretoria, composta dos irmãos Manoel Pereira Guimarães, Venerável; Antônio Martins de Almeida e João Almeida da Silva Castro, 1º e 2º Vigilantes; orador, Antônio Carrascosa e Secretário Alcebíades Augusto Villas Boas, os quais foram empossados em cerimônia celebrada a 19 de outubro de 1873.
Empossada a diretoria e já estando regularizada a situação da Loja, foi nomeado Delegado do Poder Central (cargo denominado posteriormente de Delegado do Grande Oriente do Brasil), junto às Lojas de Sergipe, o Dr. Manoel Pereira Guimarães, que tomou posse a 20 de maio de 1874, deixando assim o lugar de Venerável, pelo que foi eleito para substituí-lo o Dr. Sancho de Barros Pimentel7.
Diante da sua postura no cenário maçônico nacional, a Loja foi alçada à categoria de Capitular, em 1º de outubro de 1880, tendo em vista o especial trato dos seus membros com os princípios filosóficos, que resplandeciam na instituição.
Os embates travados, em torno dos temas religiosos, tiveram especial enfoque na Loja Cotingüiba, cujos membros não se descuidaram de analisar filosoficamente todos os aspectos que envolviam de um lado a Maçonaria e do outro, a Religião, em especial, a Católica Apostólica Romana, cultuada com bastante fervor na novel Capital da Província de Sergipe D’El Rey.
Nesse sentido, bateram-se os antigos maçons da Cotingüiba contra documentos do Papa Pio IX8, que renovava a condenação da Maçonaria, especialmente na Enciclica Est Multa Luctguosa, de 1873 e na carta Exortae in esta Dictione, de 1876, como, ainda combateram a Encíclica Humanum Genus, de Leão XIII9, datada de 20 de abril de 1884, considerada a mais longa Encíclica contra a Maçonaria.
No decorrer do tempo a Loja posicionou-se sobre essas discussões religiosas e assentou conceito sobre a religião.
No entendimento uníssono dos maçons, religião é um sistema de culto específico a um deus ou a vários deuses. Os nossos antecessores, na sua intelectualidade, desdobraram esse pensamento, admitindo que todas as religiões são constituídas de três elementos básicos. O primeiro, chamado de “idéias”, são valores preservados pelo grupo. O segundo é o “culto”, ou o conjunto de práticas, rituais ou cerimônias praticadas pelo grupo. Finalmente, todas as religiões tem uma “teologia”, ou um conjunto de doutrinas e crenças que suportam sua visão do homem, do universo e do que existe além.
Nessa visão, estabeleceu-se que a linha a ser cultuada na recém fundada Loja, seria a de que definia a Maçonaria como um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos. Esta definição indica, assim, que a Maçonaria tem um particular conjunto de valores, que se esforça em inculcar em seus membros, e esses valores são ensinados através de símbolos e cerimonial ou alegoria.
A parte não encontrada na Maçonaria é qualquer referencia a uma teologia. Uma crença em um Ser Supremo é uma obrigatoriedade para todos os maçons, mas a fraternidade não impõe qualquer conjunto de crenças de como esse Ser Supremo deva ser cultuado.
Observou-se, também, nos mais recuados tempos desta Loja, que existe uma linha comum de padrões éticos que formam uma ligação comum a todas as grandes religiões do mundo. Essas crenças em geral incluem comportamentos como honestidade, amor ao próximo, caridade, generosidade e outros mais. Provavelmente o melhor sumário desse conjunto de valores é a “Regra de Ouro”, que diz, “faça para os outros assim como gostarias que fizessem para ti”. Em diferentes formas, esta máxima é encontrada nas tradições cristãs, judaicas, islâmicas, budistas, hindus e confucionistas.
Em vez de ser um “culto religioso”, a Maçonaria pode ser melhor referenciada como uma sociedade ética e moral. Valores éticos como “Amor Fraternal, Ajuda ao Próximo e Verdade” são ensinados através da prática do ritual e do cerimonial. Esses ensinamentos são reforçados pelo uso de numerosos símbolos nas Lojas Maçônicas e nos ensinamentos Maçônicos. Esses símbolos, tais como o esquadro, o nível e o prumo são tirados da área de construção.
Essas bases filosóficas da Cotingüiba foram defendidas por parte de catedráticos do “Ateneu Sergipense” que pertenciam ao quadro da Loja, chegando alguns deles ao veneralato, como, por exemplo, o Professor Sancho de Barros Pimentel, o primeiro ocupante titular da 9ª Cadeira de Filosofia e Ascendino Ângelo dos Reis10, ocupante das Cadeiras de Inglês e História, que era, ainda, o proprietário e diretor do “Parthenon Sergipense”, estabelecimento de ensino fundado em 1879, na capital.
Embora tivesse essa marcante atuação, os trabalhos da Loja foram interrompidos em 27 de março de 1885, só retornando, com mais vigor e realizações, em 3 de janeiro de 1890, graças aos esforços do obreiro Guilherme José Vieira.
A Loja Maçônica Cotingüiba era, no fim do Império, começo da República, único refúgio sergipano de liberais, resistência de uma elite que não deixava a liberdade de pensamento ser soterrada pela violência dos autoritários e dogmáticos. Ela enfrentava, por isso, muitas lutas e era estigmatizada e perseguida pelo clero católico, principalmente.11
A história da Igreja Católica, no Brasil, e o seu relacionamento com a Maçonaria, reflete com traços peculiares a própria história da Igreja no mundo. No Brasil, com a Republica, a Igreja abandonava pouco a pouco a estrutura do poder e os hábitos do período colonial.
Depois veio a ameaça dos protestantes e dos comunistas iniciados nas lojas maçônicas, despertando certa agressividade apostólica.12
Passadas as dificuldades naturais do início do século XX, a Loja Cotingüiba foi-se, aos poucos, firmando-se e manteve, a partir daí, inalterado o seu funcionamento ordinário, contando com memoráveis sessões cívicas, como a que teve lugar em 15 novembro de 1916, ocasião em que foi, também, inaugurada a biblioteca, com cerca de 1.000 volumes.
Outra sessão que ficou registrada nos anais da Loja foi a que se realizou em 6 de março de 1917, desta feita, comemorativa ao centenário da Revolução Republicana de Pernambuco.
Nos anos de 1918 e 1919 os maçons da Cotingüiba cessaram de bater os malhetes e arregaçaram as mangas para o desempenho de um trabalho invulgar de combate à epidemia, denominada de influenza espanhola, que assolou a capital sergipana, por mais de um ano. Juntaram-se às autoridades públicas tentando minimizar os efeitos da gripe espanhola que ceifou as vidas de inúmeras pessoas na nossa cidade.
Clodomir Silva acentua que pelo seu trabalho de assistência social, a Loja Maçônica Cotingüiba foi destacada pelo Governo do Estado, em Mensagem Presidencial de 1919, assim registrada:
“Associados à obra do Governo, diversas corporações puseram-se logo a campo no intuito de trabalhar pela causa commum.
Dentre ellas avultou pelo desinteresse e pela abnegação com que se movimentava, a “LOJA MAÇÔNICA COTINGUINA”.
Esta sociedade sem perceber do Estado um ceitil13, desenvolveu a mais nobre e a mais grandiosa tarefa, merecedoras dos maiores elogios.
Seus filiados percorriam as ruas que lhe foram destinadas, entregavam os medicamentos que serviam ao período da moléstia em que estava o doente, recolhiam observações, e, assim, em um lapso de tempo pequeno relativamente à zona de que se ocupavam – Avenida Barão de Maroim até a extremo do local denominado Carro-quebrado – puderam dar como não carecendo de mais cuidado, o trecho que lhes coube, podendo, por este motivo extender mais a sua acção.
Era este dividido em 7 districtos, sendo sua sede em um posto à rua de Itabaiana, onde se distribuíam sopas, leite e alimentos outros, os quaes também ministravam os encarregados aos atacados em seus domicílios.
Dos 885 doentes que estiveram a seu cargo, falleceram 19. Superintendia o serviço geral o professor José de Alencar Cardoso, e o serviço clínico o dr. Berillo Leite.” 14
Em vista desses relevantes serviços, o Grande Oriente do Brasil elevou a Loja à categoria de Benemérita da Ordem Maçônica, pelo que se ficou intitulada como: Augusta e Benemérita Loja Capitular Cotingüiba.
Maçons da Loja Cotingüiba, atendendo sempre às necessidades sociais do povo e considerando a campanha liderada por Olavo Bilac, que situava o analfabetismo como problema nacional, responsável pelo atraso político, cultural e econômico do Brasil, resolveram criar a Liga Sergipense Contra o Analfabetismo, em 24 de setembro de 1916, que contou com outros segmentos sociais, visando erradicar o analfabetismo em Sergipe.
A Liga preocupou-se em alfabetizar adultos, principalmente operários para as fabricas têxteis de Aracaju e outros prestadores de serviços como ferroviários, marítimos, comerciários e artesãos.
Devido a essa postura de vanguarda, a Liga tornou-se um referencial da Educação em Sergipe e no Brasil. Nesse sentido, vale-se registrar a anotação de Maria Thetis Nunes15:
“Cumpre ressaltar a atuação de iniciativa privada na fundação da Liga Sergipense Contra o Analfabetismo em 23/9/1916, visando, especialmente, a educação de adultos. A primeira escola era mista e nela lecionava a professora Ítala Silva de Oliveira. Já em 1920 contava com 8 escolas noturna, não só na Capital como no interior, para atender aos que trabalhavam.”
O desempenho da Liga Sergipense Contra o Analfabetismo na tarefa de educar a população pobre secundou a atividade do Estado na sua tarefa de alfabetização, contribuindo de forma preponderante para a prática educativa em Sergipe.
A Loja Cotingüiba não se descuidou das suas atividades culturais e dos seus trabalhos filosóficos, contando com muitos obreiros que militavam na vida política do Estado, nas letras, na magistratura, na advocacia e no magistério, devendo-se destacar os nomes de: Manoel dos Passos de Oliveira Teles16, José de Alencar Cardoso17, Artur Fortes18, Clodomir Silva19, Epifânio Dória20 e Álvaro Fontes Silva21.
O palacete da rua Santo Amaro, com dois pavimentos, obedecendo ao estilo neoclássico teve a sua construção dirigida pelo construtor e empresário Frederico Gentil. A fachada desse monumento é encimada pelo tradicional frontão triangular, sustentado por colunas toscanas. Sacadas central e laterais, no piso superior. No pavimento térreo o frontispício é destacado pelas vergas em arco pleno, tanto da porta principal, como dos amplos janelões. A construção está com mais de um metro acima do nível do rio Sergipe, então Cotingüiba, atendendo ao Código de Posturas do Município, que exigia o nível elevado das casas para evitar os alagamentos, por ocasião do período chuvoso e um fácil escoamento das águas pluviais. No seu interior, destacam-se, no pavimento térreo, oito exuberantes colunas coríntias, a sustentar o pavimento superior, caracterizadas pela harmonia das proporções e pela decoração de folhas de acanto dos seus capitéis. Amplo salão, com piso de mosaicos decorados, onde sempre acontecem reuniões das mais variadas: conferências, recepções, consertos, velórios, exposições de artes plásticas e artesanato. A escadaria de madeira que dá acesso ao pavimento superior é uma das relíquias da construção civil de Aracaju. No pavimento superior, destacam-se um amplo foyer22, com mobiliário da época e o Templo, em que acontecem às sessões, às quartas-feiras, invariavelmente às 19h30. Foi inaugurado festivamente em 31 de março de 1930, na gestão do irmão Antônio Manuel de Carvalho Neto23, auxiliado pelos irmãos Silvino Fontes, João de Araújo Monteiro, Benilde Vieira24 e Clodomir de Souza e Silva. Outros maçons ilustres, nas décadas de 40 e 50, tiveram presenças marcantes no desenvolvimento da Loja Cotinguiba, entre eles, Hermeto Rodrigues Feitosa, Arivaldo Prata, Constâncio Vieira, Oswaldo Souza, Antônio Xavier de Assis Júnior e João Barbosa dos Santos.
Nessa época desenvolveu-se muito na Cotingüiba a Maçonaria Vermelha25 e, por conseqüência, a Loja voltou a operar no Rito Escocês Antigo e Aceito.
A decoração do Templo, cujas paredes levavam a cor escarlate, com as franjas e símbolos dourados, davam um toque soberbo e especial ao ambiente.
No Oriente, a abóbada tinha pintura e alegorias originais atribuídas a Orestes Gatti, artista plástico italiano, que deixou a sua arte registrada, também, em outros monumentos, como no Palácio Olímpio Campos e na Catedral Metropolitana.
A Loja Cotingüiba por toda essa relação com a sociedade sergipana, constituiu-se como a principal marco na formação da Maçonaria no Estado de Sergipe, desenvolvendo um trabalho educativo e pedagógico na fundação de outras Lojas Maçônicas e do Grande Oriente do Estado de Sergipe.
Na sua histórica caminhada, a Loja Maçônica Cotingüiba firmou-se no cenário da Maçonaria, como uma comunidade de paz, de justiça, de fraternidade. Não distinguindo nações, senão pela sua capacidade na prática do bem. Não acreditando em regimes políticos, senão pelas garantias que ofereçam aos direitos dos cidadãos.
Prega, por isso mesmo, o amor a Deus, à Pátria, à Família e à Humanidade, ou seja, ao próximo, sendo ou não maçom. Distingue-se pela liberdade de consciência do homem, pelo seu aperfeiçoamento moral e social; pela investigação da verdade.
Combate a ignorância e encoraja seus membros a praticarem a Tolerância, a Filantropia, a Solidariedade e a Justiça.
É adversária dos vícios e das paixões.
É, em síntese, uma instituição filosófica e progressista, que tem como fins os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Livros:
ALENCAR, Renato de. Enciclopédia histórica do mundo maçônico, tomo II. Rio de Janeiro : Editora Maçônica. 1970, p. 340.
NASCIMENTO, José Anderson. A Loja Maçônica Cotingüiba nos caminhos da História. Aracaju : Editora J. Andrade. 2000, p. 28.
SILVA, Clodomir. Álbum de Sergipe. Aracaju: Publicação de o Estado de Sergipe. 1920, p. 123.
NUNES, Maria Thetis. História da educação em Sergipe. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1984, p.233.
Artigo de Revista:
NASCIMENTO, José Anderson. Igreja e Maçonaria. Cadernos UFS – Direito/Universidade Federal de Sergipe. – vol. 5 (1999), fasc. IX – Vol 5 - São Cristóvão : Editora da UFS, 2007, p. 140/141.
Notas
1 José Anderson Nascimento é escritor, Presidente da Academia Sergipana de Letras, Professor de Direito Eleitoral da Universidade Federal de Sergipe e grau 33 da Loja Maçônica Cotingüiba.
2 João, ou João Batista o Percursor. Filho de Zacarias e Isabel, batizou Jesus Cristo nas margens do Jordão e designou-o ao povo como o Messias. Mandado à corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia, exprobrou os escândalos da vida desse príncipe e foi encarcerado na fortaleza de Macheros. A pedido de Salomé, filha de Herodia, sua esposa, Herodes fez decapitar o seu prisioneiro, cuja cabeça foi levada numa bandeja a Salomé, no ano de 31. Festa do seu nascimento a 24 de junho; comemoração da sua morte em 21 de agosto. Patrono da maçonaria simbólica e primitiva.
3 Joaquim Saldanha Marinho. Nasceu em Olinda, Pernambuco, a 4 de maio de 1816 e faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de maio de 1895. Político. Jornalista. Ocupou diversos cargos públicos no Ceará. Mudou-se para o Rio de Janeiro (1860), onde se dedicou ao jornalismo. Foi deputado geral pelo Rio de Janeiro (1861/67) e por Pernambuco (1867/69) e governou as províncias de Minas Gerais (1865/67) e São Paulo (1867/68). Teve participação destacada na Questão Religiosa, suscitada pelos bispos de Olinda e do Pará, escrevendo sobre o assunto diversos artigos, reunidos posteriormente no livro A Igreja e o Estado (1873/76). Foi Grão Mestre do Grande Oriente dos Beneditinos.
4 ALENCAR, Renato de. Enciclopédia histórica do mundo maçônico, tomo II. Rio de Janeiro : Editora Maçônica. 1970, p. 340.
5 Questão Religiosa. Seqüência de atritos entre a Igreja Católica e o governo imperial brasileiro, relacionados com a postura adotada por alguns bispos católicos contra a Maçonaria. Esses conflitos revelaram o enfraquecimento do poder político da hierarquia católica no Brasil e desgastaram o prestígio do império, constituindo-se num dos fatores que conduziram ao fim da monarquia e à proclamação da República. Desde o século XIX, a Maçonaria teve entre seus quadros importantes personalidades públicas, ligadas aos movimentos de emancipação nacional e, posteriormente, militantes decididos da causa republicana. As lojas maçônicas aceitavam adeptos de todas as crenças religiosas, incluindo altas autoridades católicas. Em 1872, alguns bispos resolveram aplicar uma antiga bula papal, que proibia a participação do clero nas lojas maçônicas. O governo imperial intercedeu em favor dos religiosos que pretendiam continuar ligados aos maçons. De início, o papa procurou um acordo com o imperador, mas depois os que bispos contrários à maçonaria foram condenados à prisão pela justiça brasileira, entendeu que a sentença era um insulto pessoal e, em represália, deu todo seu apoio à luta contra o setor maçônico do clero. O imperador viu-se obrigado a conceder anistia aos bispos sentenciados.
6 Vital Maria Gonçalves de Oliveira, nascido em Pedras de Fogo, Pernambuco, em 1844 e falecido em Paris, França, em 1878). Sacerdote brasileiro, uma das figuras centrais da Questão Religiosa. Bispo de Olinda (1872), denunciou a Maçonaria como herética e ordenou às irmandades religiosas que dispensassem os elementos maçônicos. Preso em 1874, foi condenado a 4 anos de trabalhos forçados e anistiado pelo Duque de Caxias, que assumiu a chefia do Governo em 1875.
7 Sancho de Barros Pimentel. Filiado à ordem maçônica e prestou relevantes serviços à Loja Cotinguiba, que dirigiu com êxito e brilho de 1874 a 1876. Nasceu em Salvador, a 16 de outubro de 1849. Bacharelou-se em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, no ano de 1870. Atuou na imprensa em São Paulo, Recife e Aracaju. Professor de Filosofia e Inglês do Ateneu Sergipense. Era integrante do Partido Liberal e quando os liberais chegaram ao poder, foi nomeado presidente da Província do Piauí e depois deputado.
8 Pio IX (Mastai Ferreti). Nasceu em Sinigaglia, em 1792 e morreu em Roma. Papa de 1846 a 1878. Recusou em 1848, tomar a chefia do movimento unitário italiano, foi momentaneamente expulso de Roma, e só lá entrou sob a proteção dos franceses. Proclamou os dogmas da Imaculada Conceição e da infalibilidade papal. Publicou o Sylabus, mas viu desmoronar-se, em 1870, o poder temporal da Santa Sé.
9 Leão XIII (Joaquim Pecci). Nasceu em Carpineto, em 1810. Papa de 1878 a 1903. Inteligência elevada, caráter enérgico e fino diplomata; interessou-se pelas questões sociais; exerceu no mundo, durante o seu longo pontificado, uma influência considerável, e foi escolhido pelo próprio Bismark como árbitro. Aconselhou os católicos franceses a aceitar a República. Excelente latinista, publicou encíclicas.
10 Ascendino Ângelo dos Reis. Médico. Professor. Nasceu em São Cristóvão a 20 de abril de 1852, não se sabendo a data e local do seu falecimento. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1874 e Bacharelou-se em Direito, na Faculdade de Direito de São Paulo em 25 de novembro de 1889. Foi Venerável da Cotinguiba de 1882 a 1884.
11 NASCIMENTO, José Anderson. A Loja Maçônica Cotingüiba nos caminhos da História. Aracaju : Editora J. Andrade. 2000, p. 28.
12 NASCIMENTO, José Anderson. Igreja e Maçonaria. Cadernos UFS – Direito/Universidade Federal de Sergipe. – vol. 5 (1999), fasc. IX – Vol 5 - São Cristóvão : Editora da UFS, 2007, p. 140/141.
13 Ceitil. Moeda portuguesa antiga.
14 SILVA, Clodomir. Álbum de Sergipe. Aracaju: Publicação de o Estado de Sergipe. 1920, p. 123.
15 NUNES, Maria Thetis. História da educação em Sergipe. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1984, p.233.
16 Manoel dos Passos de Oliveira Teles. Poeta. Ficcionista. Dramaturgo. Magistrado. Nasceu em Nossa Senhora do Socorro a 29 de agosto de 1859. Bacharelou-se em Direito, no ano de 1885, pela Faculdade de Direito do Recife. Foi Promotor Público de Mossoró, no Rio Grande do Norte e Itabaiana, em Sergipe, em 1886. Professor de Grego no “Atheneu Sergipense”, em 1898, Diretor da Instrução Pública e da Escola Normal, no período de 1898 a 1905. Juiz de Direito da Estancia, em 1905 e Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital, em 1913, cargo em que se aposentou. Venerável da Loja no período 1912 a 1913. Faleceu em Aracaju, a 14 de maio de 1935.
17 José de Alencar Cardoso. Nasceu na Estancia , Sergipe, a 18.4.1878. Educador. Fundou em Estancia o Colégio Tobias Barreto, no ano de 1909, transferindo-o, depois, para Aracaju. Diretor da Instrução Pública, cargo equivalente ao de Secretário da Educação. Membro do Conselho de Ensino e Inspetor da Instrução Primária. Venerável da Loja nos períodos: 1914-1921; 1930-1931 e 1953-1956. Professor Zezinho Cardoso foi um educador por excelência. Dirigiu com dedicação e amor o Colégio Tobias Barreto, cujo nome ficou perpetuado na história como modelar estabelecimento de ensino. Faleceu em Aracaju, a 4.5.1964.
18 Artur Augusto Gentil Fortes. Professor. Poeta e funcionário público. Nasceu em Aracaju, a 23 de julho de 1881. Estudou Humanidades no Colégio Atheneu Sergipense, onde algum tempo depois ensinou História Geral. Foi funcionário dos Correios, em Aracaju, sócio do Instituto Histórico e Geogr’;afico de Sergipe e membro da Academia Sergipana de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 10. Foi Venerável da Loja nos períodos: 1917-1918, 1923-1924 e 1932-1933. Faleceu em Aracaju a 27 de novembro de 1944.
19 Clodomir de Souza e Silva. Advogado. Jornalista. Político e folclorista nasceu em Aracaju (SE), a 20.2.1892. Venerável da Loja de 1924 a 1925. Deputado Estadual (1920/25). Teve marcante atuação na vida literária de Sergipe. Publicou “Minha Gente”, o “Álbum de Sergipe” e vários artigos em jornais da época. Redator do Sergipe Jornal. Diretor de A Folha. Grau 33 da Loja Maçônica Cotinguiba. Cofundador da Academia Sergipana de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 13, que tem como patrono Frei Santa Cecília. Faleceu a 10.8.1932.
20 Epifânio da Fonseca Dória. Político. Historiador. Nasceu em 7 de abril de 1884 Foi Deputado Estadual e Secretário de Estado. Fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Diretor da Biblioteca Pública, que hoje leva o seu nome. Venerável da Loja de 1926 a 1927. Faleceu em 8 de junho de 1976.
21 Álvaro Fontes Silva. Advogado e magistrado. Nasceu a 6 de setembro de 1884. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Juiz de Direito das Comarcas de São Cristóvão, Maruim e Aracaju. Chefe de Polícia. Presidente do Instituto dos Advogados de Sergipe. Presidente do Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. Membro do Conselho Penitenciário. Venerável da Loja nos períodos 1931-1932 e 1940-1941. Faleceu em Aracaju a 26 de junho de 1956.
22 Foyer. Sala de espera, saguão.
23 Antônio Manuel de Carvalho Neto. Jurista. Orador. Acadêmico. Escritor. Político. Nasceu em Simão Dias, Sergipe, a 14 de fevereiro de 1889. Fez os primeiros estudos na sua terra natal, transferindo-se depois para Aracaju, onde freqüentou o Colégio Alfredo Montes, projetando-se como orador e cultor da língua latina. Dedicou-se ao estudo da cultura francesa, ainda como ginasiano. Mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade Livre de Direito, no ano de 1906. Ainda estudante, iniciou-se na atividade forense no escritório do Professor Inglês de Souza. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, no ano de 1911, e retornou a Sergipe. Elegeu-se deputado estadual para a legislatura de 1912 a 1913, em cujo período foi líder do governo do Marechal Siqueira de Menezes. Depois, foi Juiz de Itabaiana e Japaratuba. Deixou a magistratura e foi nomeado pelo Presidente Pereira Lobo, para o cargo de Diretor Geral de Instrução (cargo correspondente a Secretário de Estado da Educação), ocasião em que promoveu inúmeras reformas pedagógicas. Em 26 de julho de 1919, foi iniciado na Loja Maçônica Cotinguiba, da qual exerceu quase todos os cargos. Orador nos anos 1920/21, 1928 e 1932. De 1921 a 1924 foi o representante da Loja na Soberana Assembléia Geral. Venerável nos anos 1929/30, 1933/34, 1939/40 e 1942/43 e Delegado Especial do Grão Mestrado no Estado de Sergipe, a partir de 1943. No veneralato, Carvalho Neto lutou incessantemente pelos princípios que norteiam a Maçonaria e colocou a Loja Cotinguiba em posição de destaque no cenário nacional. Na gestão de 1929 a 1930, inaugurou solenemente o Templo, com seu mobiliário conservado até à atualidade. Carvalho Neto foi um ardoroso defensor da liberdade. Da tribuna maçônica teve a oportunidade de levantar a voz na defesa dos oprimidos. Sua atuação parlamentar e cultural foi relevante para Sergipe. Quando Deputado Federal, projetou-se com estudos para a federalização da legislação trabalhista. Atuou como um dos precursores do Direito Penitenciário. Fundador da Academia Sergipana de Letras e da Faculdade de Direito de Sergipe e seu primeiro Diretor. Publicou os livros: “Patronato de Liberados e Egressos Definitivos da Prisão” e “Advogados”, obra de repercussão internacional. Escreveu, dentre outros, o romance “Vidas Perdidas”. No último mandato parlamentar, em 1951, empolgou-se pelo Parlamentarismo e pelo Direito de Greve. Doente, afastou-se da militância maçônica e política. Faleceu em Aracaju a 26 de abril de 1954.
24 Benilde Dias Vieira. Comerciante. Nasceu a . Venerável da Loja no período de 1944-1945, 1958-1969 . Delegado Litúrgico para o Rito Escocês Antigo e Aceito. Faleceu em Aracaju, a
25 Maçonaria Vermelha. Nome por que se designa a Maçonaria Filosófica, que compreende os graus 4º e 18º, do Rito Escocês Antigo e Aceito, bem como os maçons do Santo Real Arco. Seu ponto culminante é o grau 18º, ou Rosa-Cruz, e sua principal característica é a do amor; daí serem as suas comunicações expedidas dos Vales, isto é, dos férteis vales ao sopé das montanhas, que alimentam as áridas planícies da vida humana.